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Vile Creature: KW fala à Guitarrista sobre o modelo custom Stonewall

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Ao longo dos últimos seis anos, os canadianos Vile Creature trabalharam um solo fértil que lhes garantiu uma evolução musical digna de nota. Defensores dos direitos dos animais e activistas LGBTQ+, o duo composto pela baterista e vocalista Vic e o guitarrista e também vocalista KW tiveram nos seus dois primeiros lançamentos uma plataforma para abordar uma experiência muito pessoal, preenchida por traumas, perdas, sofrimento e negativismo. Glory, Glory! Apathy Took Helm! é a terceira proposta da banda de Toronto, um registo que vê ser disparado um doom metal pulsante e intenso, com vocais ferozes, obliterando por completo a atmosfera tóxica em que vivemos. Em entrevista exclusiva à Guitarrista, KW falou de Stonewall, a guitarra que idealizou para atender as suas exigências musicais, e da preferência pelos modelos da Fender. «Os dois primeiros discos foram gravados com uma Telecaster», comenta. «Nos primeiros anos usava uma Telecaster Thinline de ’72 para tudo, e até ter construído uma guitarra personalizada toquei sempre com modelos da Fender.» A Fender não é o primeiro fabricante que nos assalta a mente se o tópico da conversa for metal extremo, contudo foi precisamente com esta marca que os Vile Creature se fizeram à estrada, com KW a confiar a responsabilidade das actuações ao vivo numa Fender Jazzmaster. «A minha Jazzmaster é uma edição limitada com humbuckers que produzem um som quente e radical. Assentam bem na minha afinação ridiculamente baixa. Nunca tive problemas com ela e quando construí a Stonewall vendi a Telecaster e mantive a Jazzmaster como backup.»

O músico teve um papel muito activo na criação do modelo personalizado: «Criei esta guitarra a partir do zero. Desenhei tudo», explica. «Pretendia um braço longo mas cuja largura fosse o menor possível, pois tenho mãos anormalmente pequenas. É engraçado pois sou um tipo da Fender mas sempre preferi o design da Gibson, pelo que baseei-me numa Gibson RD Artist e moldei-a ao meu gosto. Tem um pentagrama entalhado no corpo e ‘No Pasaran’ escrito no braço, e percebe-se que foi construída com três pedaços de madeira incendiados para lhe dar um efeito granulado. Foi um processo divertido que me levou cerca de 18 a 20 meses.» Para as gravações da proposta mais recente do duo, a titularidade recaiu na Stonewall, com a Jazzmaster a ser chamada ao serviço apenas para a gravação de alguns overdubs. «Será a Stonewall que vou usar em tudo o que fizer daqui para a frente. Nunca irei tocar com outra guitarra», promete. «A guitarra só ficou finalizada um mês e meio depois do nosso último concerto, em Setembro de 2019. A partir daí, concentrámo-nos na gravação do novo álbum e tínhamos várias digressões planeadas para promover o disco, que não aconteceram [devido à COVID-19], pelo que ainda não tive a oportunidade de estrear a minha nova guitarra ao vivo, à excepção dos concertos via streaming. Tive a mesma guitarra durante 15 anos, assim como os amplificadores, que são os mesmos desde que a banda foi fundada. Sou uma criatura de hábitos.»

Ao descrever o seu modelo personalizado como perfeito, KW quis que víssemos por nós próprios para que não duvidássemos da sua palavra, conduzindo-nos em vídeo pela sua casa até uma parede onde a Stonewall repousava. «É linda e nunca mais vou precisar de tocar com outra! Como podem ver, só tem um knob de volume, que corresponde ao acabamento da guitarra. Não tem seleccionador de pickups ou controlo de tone, e o knob de volume nem vai totalmente para baixo, pelo que só reduz cerca de 20% do volume! [Risos] Uso sempre os dois pickups. Nunca alternei entre pickups ou ajustei o tone, pelo que não preciso disso. Ter a oportunidade de construir uma guitarra do zero foi algo que me trouxe uma enorme alegria e não vejo porque vá trocá-la um dia.»

Artigo publicado originalmente na edição de Dezembro de 2020 da Guitarrista.