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The Lürxx: «Acreditamos no poder da música para mover a alma e mudar a forma como as pessoas pensam.»

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«Gravado em apenas nove dias nos Material Studios, em Liverpool, o nosso novo disco, Music for the Planet, é uma celebração de música rock e simplicidade despretensiosa.»

É com estas palavras que o colectivo britânico The Lürxx se dá a conhecer aos leitores da Guitarrista e a todo o mundo, naquela que é uma jornada de transformação musical e espiritual em que prevalece todo um processo de aprendizagem marcado pelo respeito igualitário por todos os seres. Altamente influenciados pelas sonoridades do final da década de 1960 e início de 1970, em que o rock surge na vanguarda das mudanças sociais, os The Lürxx encontram-se determinados em ajudar a direccionar-nos rumo a uma mudança necessária para salvar o nosso planeta.

«Misturamos rock dominado por guitarras com uma bateria marcada por uma grande energia e vocais fora do comum. No fundo somos uma banda activista ambiental que providencia energia positiva para estes tempos de revolução. O disco conta uma história de beleza e esperança, de luta e vitória, de amor e da incrível grandeza da natureza. O nosso objectivo passa por fazer deste mundo um lugar melhor para todos os seres através da nossa parte e introduzir uma audiência rock mais abrangente a tópicos que circulam à volta da conservação da natureza e dos direitos dos animais, assim como à filosofia anti-especismo. Acreditamos no poder da música para mover a alma e mudar a forma como as pessoas pensam.»

A inspiração musical surge, conforme nos revela o guitarrista Sabú de diferentes fontes. «A guitarra principal no tema El Dorado é fortemente influenciada por Jeff Beck e DJ Ashba», refere. «O que sempre me impressionou no Jeff Beck foi a sua habilidade em ser como uma segunda voz que conta uma história ao lado do vocalista, ou seja, a forma como ele e o Rod Stewart actuam em conjunto em Truth e Beck-Ola é apenas incrível, e foi precisamente isso que quis obter em El Dorado. É como se a linha de guitarra fosse uma versão não-verbal da letra. Já DJ Ashba inspira-me no que respeita aos sons que procuro criar. Adoro o seu timbre e a forma como molda as suas notas.» Xavi acrescenta: «Izzy Stradlin é, provavelmente, o meu guitarrista ritmo favorito de todos os tempos e a minha abordagem à guitarra é altamente influenciada pelo seu trabalho em Appetite for Destruction. Gosto de combinar ritmos groovy com pequenas passagens lead assistidas pelo wah. Uma vez que também sou o vocalista da banda, procuro manter o ritmo da guitarra suficientemente simples para me concentrar o máximo possível nos vocais.»

Relativamente aos instrumentos que dão voz à música dos The Lürxx, Sabú encontra-se ao comando de uma Schecter F-6 Diamond Series Deluxe e Xavi de uma Epiphone Les Paul Studio LT.

«É um modelo de gama-média», diz-nos Sabú, «mas ainda que possa ser encontrado a um preço acessível tem uma sonoridade muito boa que pode ser ouvida na maioria dos temas presentes em Music for the Planet e no EP Jellyfish Moon. Com a guitarra e o set-up certos, não preciso de muito dinheiro para obter uma boa sonoridade. Gosto do facto da guitarra ter 24 trastes, algo que me permite adicionar uma oitava completa e fazer uso disso mesmo para uma sonoridade de assinatura em temas como Rebels e Smash the Dam. É definitivamente uma nota que não se ouve a toda a hora e dá um push extra. Também sou apreciador da ponte flutuante, algo sem o qual conseguiria viver! É uma forma poderosa de colocar as minhas emoções nas notas e de criar toda uma atmosfera.»

Xavi destaca o timbre quente do seu modelo Les Paul, sem deixar de fora a acústica Taylor Academy 10 «que soa muito suave, quase como uma eléctrica».

Em estúdio, a banda trabalha a partir de pre-amps ligados directamente à mesa de mistura, a partir dos quais exploram diferentes sonoridades extraídas de plataformas digitais como o Cubase e LogicPro. «Com estes amplificadores digitais, temos tendência a usar um som clássico dos anos 70 ou o hair metal dos anos 80 para alguns dos solos. As duas guitarras perseguem aquela sonoridade quente da década de 70 que conseguimos obter através do Brown Tone Metal no LogicPro, que é um som muito nostálgico do tempo que passámos em Hollywood quando tocávamos muito no Coconut Teaszer em Sunset Strip. Nos ensaios tocámos com um Marshall MG15 CF e um Fender Mustang I.»

Seguindo a linha desta abordagem, o set-up dos pedais prossegue de forma simplista com distorção, boost e wah-wah. «Para nós começa na forma como o guitarrista toca nas cordas. É quase uma maneira de pensar acústica, pelo que a escolha de palhetas é muito importante.» Sabú usa unidades Dunlop Jazz III XL Series e Xavi opta pelas unidades Max-Grip, da mesma série. «Adicionalmente», continuam, «o nosso som assenta no facto de tocarmos juntos há mais de 30 anos e as melodias que construímos estão sempre entrelaçadas. El Dorado é um grande exemplo disso mesmo!»

Os The Lürxx prometem novo material para 2023.