#Guitarrista

Música

Metal da Semana (14/05/21)

Publicado há

-

A Guitarrista destaca três lançamentos da semana extraídos do universo do metal.

Caliban – Zeitgeister
(Century Media Records, metalcore / deathcore)
Titãs e pioneiros do metalcore alemão, os Caliban decidiram em boa hora dar espaço à sua língua-mãe com o portentoso décimo segundo álbum. Enraivecidas (os berros urgentes e alarmistas de Andreas Dörner provam isso mesmo), as novas composições da banda de Essen são um compêndio de metal altamente pesado que tanto oferece as bases do metalcore mais tradicional como se manda para death metal ultrasónico e deathcore pungente com breakdowns esmagadores e segmentos electro-industriais que criam um ambiente distópico e medonho. A melodia e melancolia também entram na equação com refrãos cantáveis, mas é a noção destruidora de um álbum que não fará prisioneiros que mais salta à atenção.

Dordeduh – Har
(Prophecy Productions, avant-garde metal)
Com membros que passaram por Negură Bunget (banda que pôs a Roménia no mapa do metal), os Dordeduh lançam o seu segundo álbum, uma viagem sónica que deambula entre black metal, rock, prog, gothic, folk e electro – sim, Har é assim tão difícil de classificar e é por isso que assinamos o rótulo como avant-garde. As oito faixas contêm uma abordagem de mente-aberta, do épico ao introspectivo, do cinemático ao sombrio interior, havendo toda uma personalidade bucólica e ocultista num só que oferece graciosidade. Enquanto o metal dá ar de si com guturais profundos e guitarras pesadas, a ala folclórica ganha expressão através duma vasta panóplia de instrumentos tradicionais que a banda inclui com mestria. Har é o salto de fé dos Dordeduh, uma bela jornada ao desconhecido dos Cárpatos.

Scar of the Sun – Inertia
(Napalm Records, groove / melodic death metal)
Com influências tão díspares como o death metal melódico sueco e a cerimónia do black/death metal helénico, os Scar of the Sun oferecem com o seu terceiro disco uma abordagem refrescante em relação ao que é metal melódico, atmosférico e com toques de progressivo. Neste Inertia tanto conseguimos ouvir os leads épicos duns Rotting Christ (ainda que aqui mais amigáveis e modernos) como partes mais velozes e cheias de groove duns Dark Tranquillity. Com um trabalho contemporâneo e cuidado à volta das guitarras (muito à custa da produção espantosa), mais a interacção entre fúria e melancolia, ficamos ainda fisgados nos refrãos cativantes que sustentam a ideia de que o que se ouve fica na memória.