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Melhor de 2022 – Guitarras Eléctricas: Yamaha Revstar II

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Em 2015, a Yamaha dava a conhecer a Revstar, o primeiro novo modelo eléctrico do fabricante em mais de dez anos e que assistia a um elegante cruzamento entre o legado da própria marca e o design arrojado das motos Café Racer saídas da Yamaha Motor Company, conhecidas entre os motociclistas como máquinas de competição de alta performance que reflectiam a personalidade dos seus condutores. Chegados a 2022, a Yamaha aposta na evolução da série Revstar ao imprimir-lhe todo um novo conceito que se distingue pela aprimoramento da tocabilidade, versatilidade e timbre, firmando-se uma vez mais como uma óptima solução para os guitarristas que procurem um instrumento de estilo clássico equipado com elementos modernos. Dividida em três classes, nomeadamente Element, Standard e Professional (esta última com fabrico no Japão), a gama Revstar apresenta todos os modelos em corpo com câmara desenvolvido com recurso ao processo Acoustic Design, que assume o compromisso de esculpir o som e ampliar a ressonância, reduzir o peso e optimizar o equilíbrio, e ao qual a Yamaha chega através de meios avançados de medição, análise e modelagem, de forma a garantir um corpo que possa oferecer um timbre limpo, poderoso e com a ressonância no seu máximo.

Outra característica comum reside nas opções de switch, com os modelos Element a verem incluído o mesmo filtro Dry Switch apresentado no modelo original, enquanto que as edições Standard e Professional são disponibilizadas com humbuckers ou pickups ao estilo P90 e vêem integrado o Focus Switch, uma função de boost passivo que evoca a sonoridade dos pickups overwound. Tal funcionalidade faz-se ainda acompanhar de um circuito de switch de cinco posições capaz de oferecer um toque único no timbre do instrumento, conferindo-lhe uma ainda maior versatilidade e gama de sons.

A Yamaha fez chegar um protótipo do modelo RSP20 com acabamento em Moonlight Blue às instalações da Guitarrista. Dotada de um conjunto de pickups VH5n e Vh5n Alnico V, a guitarra recebe corpo em ácer e mogno com as já referidas câmaras e braço de três peças em mogno que, tal como o corpo dos modelos Professional, é reforçado com fibra de carbono. Junta-se ainda uma escala em pau-santo com 22 trastes em inox. As madeiras do modelo Made in Japan são tratadas através da aceleração da resposta inicial (I.R.A.), um processo que aplica vibrações específicas de forma a libertar tensões entre os componentes do instrumento, conferindo ao som uma sensação de amadurecimento, como se de uma guitarra vintage se tratasse. Dentro da gama Professional, a Yamaha apresenta ainda a RSP20X, uma espécie de variação cosmética da RSP20 em que sobressaem as listras douradas associadas às corridas, assim como um escudo de alumínio anodizado e a mesma ponte Tune-O-Matic Stopbar presente na RSP20. Segue-se ainda a RSP02T, que contrasta com as suas homónimas através do conjunto de captadores estilo P90 e cavalete Tune-O-Matic com ponte Racing Tailpiece, o que transmite toda uma aura tradicional.

As linhas que dão forma ao corpo da Revstar são tão deslumbrantes quanto o seu acabamento, com este fascínio a prolongar-se nos momentos seguintes, em que, e ainda que estejamos a falar de uma construção em mogno, sentimos um misto de levez e graciosidade assim que lhe pegamos e vemos de perto o fantástico trabalho realizado ao nível dos trastes, com estes a potenciar a expressão dos bends. A resposta do amplificador é o que se espera depois de nos familiarizarmos com o instrumento, com o processo de aceleração da resposta inicial a identificar desde logo as suas vantagens dado que sabemos que temos uma guitarra nova nas mãos mas em que o comportamento se assemelha ao de um instrumento vintage.
O timbre é distinto, perfeito para quem procura uma identidade sonora e visual muito própria dentro das propostas de fábrica, com a função push-pull a permitir um ajuste da frequência de ressonância e a trazer mais versatilidade a um som já de si sublime com elegantes tonalidades limpas que se transformam no rock majestoso que deu vida ao formato eléctrico, dividindo-se também entre o timbre irreprovável conhecido do jazz e o território do overdrive.
Com o equilíbrio e densidade no ponto, a RSP20 é uma guitarra de primeira liga, também disponível para esquerdinos, que se destaca pela sua capacidade de expressão tão audaz quanto agressiva e pela sua impressionante ressonância e sustain, elementos que em conjunto dão muito mais presença à sonoridade do instrumento a sem sacrificar outros aspectos cruciais como a gama de médios ou a clareza das notas. Não a poderíamos recomendar mais!