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Les Paul “Number One”: A História

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FOTOGRAFIA: Cortesia da Christie’s

Uma estrela da música da década de 1940, Les Paul era também um inventor que durante três décadas perseguiu o sonho de criar uma eléctrica solidbody de qualidade. Esta longa batalha, que viria a mudar o rosto do rock’n’roll, é contada pelo seu filho, Gene Paul, que nos transporta para os dias em que a primeira Les Paul era finalmente criada e aprovada para produção.

Existem as guitarras raras e depois existem aquelas que são verdadeiras lendas, e a Les Paul ‘Number One’ pertence sem sombra de dúvida à última categoria, uma vez que este instrumento histórico foi o primeiro modelo eléctrico Gibson Les Paul a ser aprovado pelo homem que lhe deu o nome, depois de dois anos a tentar dar uma forma sólida a um sonho ainda mais antigo. Na realidade, a história deste modelo icónico não começou em 1952, altura em que era lançada pela Gibson para rivalizar com a Fender. Como o filho de Les Paul, Gene, explica, o processo que viria a mudar para sempre o curso da história da guitarra eléctrica foi iniciado na década de 1930. «Um dia o meu pai pediu-me que fosse ao andar de baixo para lhe trazer uma guitarra específica», recorda Gene. «Quando a trouxe para cima estava numa mala e ele pediu-me que a pusesse em cima de uma mesa e a abrisse. Abri-a e ali estava ela: uma guitarra dourada magnífica, muito elegante. Fiquei impressionado pois só conhecia a Les Paul preta (custom) e a branca que o meu pai geralmente usava em palco e no estúdio. Então fiquei ali, a olhar para ela e perguntei-lhe o que era aquilo, e foi então que ele se sentou e me contou uma história…»

A história era nada mais nada menos do que um relato detalhado do quanto Les batalhou para conseguir tornar realidade o sonho de criar uma eléctrica solidbody cuja voz fosse capaz de se erguer perante uma orquestra completa, algo que as acústicas archtop da década de 1930, e as guitarras com as quais Les trabalhava então, falhavam em concretizar. Recentemente vendida em leilão por mais de $900.000, a Les Paul ‘Number One’ seria o primeiro modelo aprovado pelo próprio Les Paul para assim dar início à produção iniciada em 1952, o que significa que para Les isto não era apenas o princípio de algo grandioso mas sim o fim triunfante de uma obsessão com 30 anos de existência.

Porque todas as histórias começam pelo princípio, é necessário recuar até à infância de Gene, que após um concerto percebeu que o seu pai era, de facto, uma figura importante da música americana. «A minha memória mais antiga do meu pai a tocar guitarra deu-se em Chicago», recorda Gene Paul. «Vivia com a minha mãe e tinha cerca de oito anos. O meu pai veio à cidade com a Mary [Ford] para tocarem. Ele levou-me com eles e vi-o tocar lá. Convidou-me para subir ao palco e deu-me uma das suas guitarras para a transportar, e foi nesse momento que percebi realmente quem ele era.»

De facto, Gene só ganha consciência da celebridade que era Les Paul quando chega à adolescência. «Vivi com a minha mãe em Chicago até aos meus 15 ou 16 anos, já no fim da década de 1950. Foi aí que os meus pais decidiram que, uma vez que eu tinha interesse na música e queria ser baterista, estava na altura de ir viver com o meu pai. Foi assim que me mudei para o seu apartamento e acabei a tocar bateria nos concertos dele. Nessa altura achei sempre que todos os pais construíam as suas próprias guitarras e os gravadores de oito pistas, pois foi nesse ambiente que cresci e nunca pensei que as coisas pudessem ser diferentes. Foi só quando me fiz à estrada que absorvi tudo e entendi que o meu pai não era um pai qualquer e que estava a fazer algo de diferente.» Gene revela ainda que embora Les fosse tão habilidoso em criar equipamento de áudio como era a tocar guitarra, não era alguém de se gabar, escondendo as suas invenções ao ponto de ninguém na família ter plena consciência dos seus incríveis resultados. Gene viria a tornar-se um conceituado produtor e engenheiro, tendo-se juntado à Atlantic Records para trabalhar com artistas lendários como Aretha Franklin. «Quando fui para a Atlantic Records, acabei a trabalhar na masterização. Um dia, um colega meu entrou no estúdio todo sorridente e disse-me que tinha um projecto para mim: ‘É o teu pai’. Respondi: ‘A sério? O que é?’ E disse-me que eram as primeiras gravações de jazz que ele tinha gravado para a Decca. Nunca tinha ouvido aquilo antes. O meu pai nunca tocou este jazz inicial em casa, então estou ali sentado a trabalhar na masterização, a ouvir aquilo pela primeira vez na minha vida. Já o tinha ouvido tocar Django Reinhardt mas nunca aquele tipo de jazz, e quando ouvi o disco fiquei maravilhado. Percebi que era alguém que tinha os seus segredos, mas esta guitarra era o maior deles todos.»

À esquerda, Les Paul em estúdio com Mary Ford e a sua Goldtop Number One.
À direita podemos ver Gene Paul, Mary Ford e Les Paul.

Gene aponta 1959 como o ano em que o seu pai lhe deu a conhecer a Les Paul ‘Number One’. Nesse dia, Les Paul conta-lhe sobre a vez em que tocou num barbecue e recebeu um bilhete de um membro do público. «No papel estava escrito: ‘Ouvi bem a voz e a harmónica mas não consegui ouvir bem a guitarra’. O meu pai diz-me então que lamenta muito o facto de não saber quem era este homem, pois foi graças a este bilhete que esta guitarra se tornou possível. Depois desse episódio, o meu pai foi para casa e começou a trabalhar.» Por incrível que pareça, este trabalho de três décadas não tem início junto a um construtor de guitarras mas sim com recurso a objectos comuns do lar. «O meu pai era o tipo de miúdo que faria qualquer coisa a partir do que tivesse à mão», diz Gene. «A mãe dele deixava-o fazer tudo, pelo que ele tinha liberdade para fazer o que quisesse. Tinha uma guitarra Sears-Roebuck, que foi a sua primeira, e ele queria amplificá-la um pouco para ver se conseguia animar as pessoas, e pegou no telefone e no rádio da mãe e descobriu como amplificar a guitarra. No entanto ouvia esta voz na cabeça que lhe dizia ‘Ainda não é isto’, sabes? Então, juntamente com um amigo, procurou algo que pudesse ser mais sólido do que o corpo de uma guitarra acústica para transformar a sonoridade que obtinha da acústica naquilo que tinha na sua cabeça. Aliás, ele dizia isso muitas vezes, que tinha algo na sua cabeça. Não sabia o que era, mas tinha uma visão que não conseguia clarificar.» Voltando à história, Gene conta que «havia um caminho ferroviário que passava mesmo ao lado de casa, e eles levaram uma pequena carroça para ver se encontravam algum material que fosse mais sólido do que aquilo de que a sua acústica era feita, e encontraram um pedaço de metal da linha ferroviária. Levaram-no para casa, instalaram-lhe as cordas e depois ligaram-no ao telefone da mãe, e o que é certo é que podia ouvir diferenças. Este foi provavelmente o passo seguinte nesta evolução pois fê-lo perceber que o som era diferente. No entanto, era necessário electrificar o metal pois não tinha qualquer acústica natural. Era apenas uma barra de metal. Contudo, o facto de ter funcionado, intrigou-o de tal maneira que partiu daí. Procurou encher a guitarra com calções, t-shirts, meias… Tudo o que conseguisse encontrar para abafar a resposta da guitarra acústica, e isso trouxe resultados mas não era suficiente. Então partiu para o passo seguinte, que foi aplicar gesso, e ficou ainda melhor, mas continuava a não ser o suficiente.»

O facto de ter ido tão longe como aplicar gesso à sua guitarra acústica mostrava o quanto Les Paul acreditava na sua visão, dedicando-se fervorosamente ao sonho de criar uma guitarra solidbody. No entanto, seria preciso chegar a 1938 para que Les encontrasse o laboratório ideal para as suas experiências no que respeita ao timbre da guitarra eléctrica. Agora em Nova Iorque, Les Paul procurava um local onde pudesse construir o seu instrumento de sonho, acabando por se cruzar com um construtor de guitarras convencido o suficiente para embarcar nesta aventura.

«Nessa altura a Epiphone estava em Nova Iorque e tinham uma loja. O meu pai tornou-se amigo de toda a gente e acabou por convencê-los a ficar por lá», relembra Gene. «Começou por trabalhar com uma tábua quadrangular, que eventualmente se tornaria na guitarra a que ele chamou ‘The Log’ [O Tronco]. Esse foi outro ponto de viragem na sua vida pois seria a primeira vez que encontrava algo que não pesava muito e ao mesmo tempo produzia o tipo de resultados que ele esperava de uma plataforma sólida. Aplicou-lhe um braço e cordas, e como a Epiphone já andava a trabalhar em pickups, usou-os também.»

O protótipo de Les Paul podia parecer primitivo mas era funcional, e como tal Les arriscava tocar com a Log num dos seus concertos, estudo crucial para efectuar uma descoberta importantíssima em relação ao design da guitarra que prevalece nos dias de hoje. «O meu pai levou a Log para um concerto mas não obteve resposta por parte de ninguém», recorda Gene. «Então veio para casa e contou que não tinha corrido lá muito bem. O meu pai era a personificação da perseverança; nunca era derrotado e para ele o copo estava sempre meio-cheio. Então pensou: ‘Será que é por não se parecer com uma guitarra verdadeira?’»

«Foi à Epiphone e acrescentou-lhe as laterais», comenta Gene em relação às duas secções curvilíneas feitas de madeira que foram acrescentadas ao bloco central para lhe conferir um visual jazz. «Não mexeram no som, apenas fizeram com que parecesse uma guitarra. Então o meu pai voltou à mesma sala de espectáculos e tocou exactamente a mesma música com a Log. Quando voltou para casa nessa noite e a mãe lhe perguntou como se tinha saído, ele disse que tinha corrido muito bem. A mãe ficou muito feliz e ele disse que tinha aprendido uma coisa importante nessa noite. Quando a mãe lhe perguntou que lição tinha sido essa, o meu pai respondeu: ‘Acho que as pessoas ouvem com os olhos.’»

«(O Les Paul) não queria saber se seriam precisos outros dez ou vinte anos, pois estava disposto a esperar o tempo que fosse necessário.»

Agora com as provas do seu lado, Les Paul decide que chegou a altura de levar a sua ideia e ambição a um fabricante maior, acabando por ver na Gibson o parceiro ideal. «O meu pai admirava o trabalho de madeira dos violinos e de todos os outros instrumentos que a Gibson construía», observa Gene. «Ele gostava mesmo disso e decidiu não só que ia levar a sua ideia à Gibson mas que esta seria aceite pelos chefes, mas o que aconteceu foi que ele chegou lá e disseram-lhe que não.» A Gibson iria mais longe do que isso, apelidando mesmo a nova criação de Les Paul como uma vassoura com pickups. «O meu pai não se sentiu desmotivado com isso, mesmo nada. Pensou que esta decisão lhe daria tempo para experimentar novas ideias até voltar a levar o seu produto à Gibson para nele trabalharem em conjunto. Ele não queria saber se seriam precisos outros dez ou vinte anos, pois estava disposto a esperar o tempo que fosse necessário enquanto trabalhava, e foi precisamente isso que fez.»

The Log, com as laterais em madeira anexadas à barra de metal.

É assim que, sustentado pelo sucesso da Log em palco e ao mesmo tempo esfomeado por chegar a um conceito vencedor de uma guitarra solidbody, Les não precisou de muito tempo até ter uma nova ideia que o faria avançar neste longo mas profícuo caminho. «Em 1941, depois de ter mostrado a Log à Gibson, o meu pai recebeu nova inspiração depois de uma actuação com as The Andrews Sisters», diz Gene. «E o pensamento que lhe passou pela cabeça foi: ‘Porque não experimentar com alumínio?’ E então construiu uma guitarra em alumínio muito inovadora. Era espectacular e muito bonita. Também soava bem. O que poderia correr de mal? Acontece que quando estava em palco a tocar um solo, incidiram a luz do palco sobre ele e o calor fez com que a afinação mudasse devido à condutividade do metal, o que significa que ele só podia tocar nessa nova guitarra se estivesse às escuras mas ainda assim a manteve e era maravilhosa. Só que aqui a história era bem melhor do que a guitarra!»

Depois de vários anos em que foram registados mais falhanços do que sucessos, seria de esperar que o entusiasmo de Les Paul diminuísse e colocasse em causa o sonho de criar uma solidbody, mas desistir não fazia parte da natureza de Les, como Gene explica: «Acho que as pessoas não entendem bem o inferno pelo qual este tipo passou, pois era algo que fazia 24 horas por dia, sete dias por semana. Um dia disse-me: ‘Fazes ideias de quantas lâmpadas o Edison precisou até encontrar uma que funcionasse?’ Ele passou perto de 30 anos atrás deste sonho até que a Gibson finalmente decidiu tentar. Mas voltando à história, em 1941 ele chegava à conclusão que as pessoas ouviam com os olhos e pensou em obter uma Epiphone de stock. Conseguiu-a e aplicou uma placa de metal, ou seja, nada estava livre da intervenção dele [risos]. Chamou ao modelo ‘The Clunker’ e construiu umas três entre 1941 e 1946, só que era uma guitarra tão boa que não lhe mexeu para a modificar, e acreditem em mim, era preciso colocar-lhe um colete de forças para não modificar uma guitarra pois esse era o seu universo… Mas era uma guitarra tão boa que foi a que ele usou nos concertos Jazz At The Philharmonic e Bing Crosby. Foi também a guitarra que utilizou nas gravações da Capitol, com a Mary, e o Les percebia que finalmente tinha algo em mãos.» A partir daí tudo se desenvolveu de forma mais rápida. Na década de 1950, a Gibson ganhava nova competição através da Fender, que apresentava as primeiras eléctricas solidbody no mercado, nomeadamente a Esquire e a Broadcaster. Sentiam-se novos ares a circular e, por fim, a Gibson era agora toda ouvidos e Les estava pronto para falar.

Gene Paul à esquerda. À direita, Les Paul posa com a sua Log.

À segunda tinha sido da vez, e tudo ganhava um novo sabor pois à equação juntava-se um sentimento de validação, o que gerava um alívio há muito aguardado. Les Paul não perdia tempo e arregaçava as mangas para criar algo completamente novo junto de um dos melhores fabricantes de guitarras da história dos Estados Unidos. «O meu pai pôde finalmente respirar fundo e bater à porta da Gibson sem que o mandassem embora», reflecte Gene. «Ainda assim precisou de dois anos para acertar com a guitarra, chegando a dizer que recebeu algumas guitarras para aprovação sem que as conseguisse sequer tocar, uma vez que tinha mãos muito grandes e os braços normais não eram adequados, ou seja, precisava de o modificar. Também falharam na execução da ponte, assim como em muitas outras coisas. Precisou de andar às voltas com a Gibson até chegar a um modelo que lhe parecesse bom, e isso fez com que criasse um laço com a ‘Number One’, mais do que qualquer outra. Esta guitarra era tudo para ele.»

Gene assegura que Les se sentia muito grato pela Gibson, reconhecendo ao mesmo tempo que nunca seria capaz de atingir o seu objectivo sem a ajuda do fabricante, ficando agradecido pela disposição da Gibson em ouvir o que Les queria obter de uma guitarra eléctrica sólida. «Também se sentia satisfeito pelo facto da Gibson lhe ter permitido fazer as coisas à maneira dele, pois ele tinha que o sentir quando tocasse. Claro que a Gibson teve uma influência tremenda e o meu pai nunca foi capaz de dizer que fez tudo sozinho. Por exemplo, o meu pai mencionou uma vez que foi Maurice Berlin [fundador da CMI, que detinha parte dos direitos da Gibson] quem teve a ideia de criar uma guitarra cujo topo se parecesse com um violino. Ele estava realmente satisfeito com o contributo conjunto de todos os envolvidos neste projecto mas sentia-se particularmente honrado pelo facto da Gibson ter acreditado nele o suficiente para criar algo com o qual se sentisse confortável ao tocar. Foi o momento dele.»

A Les Paul ‘Number One’, que ganhou este nome por ser a primeira guitarra baptizada com o nome de Les Paul a ser aprovada para produção, seria em anos recentes levada a leilão pela nova-iorquina Christie’s, atingindo um valor de $930,000.

MODIFICAÇÕES

Tom Doyle é um guitarrista e luthier que trabalhou ao lado de Les Paul enquanto seu técnico pessoal, termo que pode ser considerado reduzido para descrever a sua actividade ao lado do génio da guitarra eléctrica. Depois de ter passado um primeiro teste cuja finalidade assentava em certificar Doyle quanto às suas capacidades de reparação de instrumentos, Les Paul confiava ao luthier a ‘Number One’ Goldtop para as modificações que se avizinhavam. «Trabalhei com uma das primeiras e assim continuei até aos anos ’70», explica Tom Doyle. «O Les pedia-me que lhe fizesse uma manutenção, que aplicasse trastes maiores, que mudasse isto e aquilo, que desenvolvesse um escudo em que coubessem os novos pickups assim que os substituía… Todo o tipo de coisas.»

A ponte, por exemplo, foi construída especialmente para a ‘Number One’, uma vez que Les Paul não era apreciador das pontes Gibson padrão, até porque não encaixavam na Goldtop ’52 devido ao ângulo do braço. Les servia-se então de uma ponte de aço ausente de saddles, a mesma solução encontrada na Epiphone archtop modificada, pois era, de acordo com Doyle, «a forma perfeita de garantir um melhor sustain e manter a acção nos graves, para além de possuir um melhor ângulo para a tailpiece, que era uma Vibrola criada pela Kauffman.» O pickup da posição do braço, por exemplo, tinha a assinatura de Les, com Doyle a não estar propriamente recordado se se tratam ou não de ímanes DeArmond, apesar de garantir que a bobinagem não estava ligada à marca, pois Les era adepto de baixa impedância. O escudo alongado escondia a ligação personalizada dos pickups, que Les executava com as suas próprias mãos recorrendo a uma chave de fendas. O circuito presente na guitarra permitia a Les Paul mudar os pickups de posição e acomodar um Q-coil para cancelar o ‘hum’ e reduzir o ruído em geral, vendo ainda a presença de um pequeno transformador que assegurava o aumento ou a diminuição da impedância. O encaixe da Vibrola Kauffman acontecia com recurso a algumas modificações de peso, necessitando do acrescento de uma placa para a sua extensão, para assim ser montada no corpo da guitarra. Originalmente dotada de dois controlos (volume e tone), o layout veria acrescentado um potenciómetro adicional para alternar entre os jacks do output instalados no tampo e na lateral, com o primeiro a proporcionar um sinal de alta-impedância e o último para baixa. O selector de pickups apresentava igualmente uma cavidade em que se via inserido um coil humbucking fantasma, com uma destas unidades disponíveis para cada um dos pickups.