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Leo the Painter: Fender’s 60th Anniversary ’58 Jazzmaster

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Com EP homónimo editado em Abril de 2021, os portugueses Leo The Painter reúnem várias linguagens musicais e toda uma diversidade estética que embora os ligue ao rock não deixa de ver pintados estilos como blues, western e o rock psicadélico. O guitarrista Miguel Sousa fala-nos do equipamento que dá vida a esta paleta de cores tão expressiva.

Guitarra: «A guitarra é uma JM feita “à moda antiga”, baseada no primeiro protótipo que a Fender criou (knobs Telecaster, pickguard dourada, pickups pretos). Mantém o circuito original, ponte muito pouco funcional e o surf todo da época. Entretanto, instalei uma mastery bridge (melhor upgrade que uma offset pode ter) e uso cordas 011. O que mais adoro nela é o surf do timbre e a riqueza sonora que me permite introduzir nos meus projectos. Tem aquele clean tone angelical conhecido das Fender, mas com um corpo e uma pequena sugestão de lado negro super interessante para criar texturas mais cinematográficas nas músicas. Uma particularidade que a guitarra tem – que muita gente vê como defeito mas eu uso como “feature” – é a perda de agudos quando baixo o volume knob. Embora tenha algumas guitarras, esta é a que uso a maior parte das vezes. Gosto da ideia de ser aquele tipo de guitarrista que usa sempre a mesma guitarra e que esta acaba por fazer parte da minha identidade tímbrica.»

Amplificação: «Uso um Fender Blues Jr. para tudo. Olho para ele como uma folha em branco. Sou apaixonado pelo clean incrível que os amps Fender têm. Conheço o sweet spot do meu amp e tento ao máximo não fugir dos meus settings, o master entre o 4 e o 6 e a equalização depende do espaço, das cordas, etc, o reverb sempre às 12 horas, no mínimo. No entanto, como moro num apartamento e gosto de tocar/praticar em casa, uso também um Strymon Iridium nos settings de Fender Deluxe Reverb com o profile do cab com speaker de Blues Jr.»

Efeitos: «Nunca estou satisfeito com o meu tone, mas, ao mesmo tempo, consigo sentir-me feliz com o que tenho. O tone é um caminho sem fim. Sei que nunca vou ter o tone que quero, porque isso varia com o tempo, influências ou até o mood que tiver no próprio dia, mas isso é que é interessante. Poder constantemente descobrir sonoridades novas, cozinhar novas combinações de efeitos e texturas é muito gratificante. Gosto do meu tone, gosto do que consegui fazer até agora e acredito que ainda há muito mais para descobrir. Quanto ao processo em si, eu posso dizer que uso muito a lógica do ouvido, “soa-me bem, soa-me mal”. Gosto de ficar horas de guitarra na mão e um pedal novo a experimentar, a procurar sons e a ver o que o pedal pode fazer. Depois, quando é para tocar, já sei o som que quero na minha cabeça, por isso, quando o quero reproduzir, é mais fácil ajustar os efeitos para o conseguir atingir. O efeito que mais uso é o reverb. Adoro reverb, adoro o espaço, adoro o mundo dos sonhos que o efeito sugere. É um efeito que tem uma carga expressiva gigantesca, as melodias ficam mais dramáticas, os solos mais épicos, os blues com mais corpo. Adoro também o fuzz, a sujidade que traz, a agressividade e a violência natural associada ao efeito hipnotizante. No geral, uso constantemente os seguintes efeitos: Overdrive (Bad Monkey), Fuzz (Big Muff verde), Wah-Wah (Crybaby, adoro o Wah a seguir ao Fuzz), Reverb (Strymon Flint), Tremolo (Strymon Flint). O meu signature sound vem da música que ouço. Penso incessantemente em músicas de que gosto, as suas sonoridades e particularidades. Dentro dessa análise, procuro reproduzir a minha interpretação, a forma como imagino essas sonoridades na minha cabeça. O resultado final acaba por ser um timbre só meu com fortes influências.»