#Guitarrista

Música

indignu: Afonso Dorido apresenta gear e comenta química musical com a violinista Graça Carvalho

Publicado há

-

Fotografia: Carlos Jorge

«Para quem queira andar na estrada e procure fiabilidade, a Gibson é uma óptima escolha.»

Afonso Dorido é devoto à sua Gibson SG Standard, com a qual se faz acompanhar ao vivo desde 1999. Fabricada um ano antes, o instrumento tem carimbo dos Estados Unidos, sendo responsável (à excepção de um ou outro overdub) por cada nota ouvida em indignu, projecto instrumental iniciado em 2004 que combina melodia com caos de um modo excepcional. O guitarrista do quarteto que tem em adeus a sua mais recente proposta discográfica, e sobre a qual falou à Guitarrista recentemente, aponta o punch da guitarra como uma das características que o faz apoiar-se nesta guitarra com uma imensa segurança há mais de duas décadas.

«É uma guitarra com bastante output e agressiva para o rock. O pickup mais agudo fura bastante bem e o rítmico também tem bastante potência apesar do corpo não ser uma Les Paul, por exemplo, acaba por ter muito ataque e furar igualmente bem», explica. «Acaba por ser uma guitarra sólida no sentido em que é muito versátil e o braço é impecavelmente estável. Com a SG pode-se ir do metal até ao blues e para uma guitarra com 23 anos de uso, nunca lhe troquei uma peça. Mostra fidelidade, tocabilidade e musicalidade, sendo também um símbolo de indignu.»

Igualmente familiarizado com a sonoridade da Les Paul e dos modelos tradicionais da concorrente Fender, Afonso Dorido identifica certas particularidades no timbre de cada um dos modelos da Gibson, como nos esclarece: «Nota-se um timbre específico e consigo perceber esse timbre mais facilmente numa Les Paul do que numa SG. Como uso outras guitarras noutros projectos, nomeadamente modelos Telecaster e Stratocaster, da Fender, o que sinto é um som ligeiramente mais encorpado e cheio por parte das Gibson. A opção da Gibson foi por ser sempre uma guitarra que eu quis ter e visualmente foi o que me fez começar a aprender a tocar. [risos] O que me leva a escolher uma Gibson é, sobretudo, a sua fiabilidade. Soam todas muito bem e são muito fiáveis, o que é muito importante quando precisamos de um instrumento num palco que não possa falhar e que seja consistente. No caso, por exemplo, da Les Paul que tenho usado e que vem com pickups P-90, tem um output ainda mais forte e nota-se que é uma guitarra que tem corpo. Seria uma marca que eu utilizaria sempre que eu quisesse sons mais pesados e duros pois parece-me uma guitarra com bastante força. Para quem queira andar na estrada e procure fiabilidade, a Gibson é uma óptima escolha.»

Em termos de efeitos e amplificação, o guitarrista comenta: «Usava apenas um delay digital, um Boss DD-3 muito antigo, e agora uso um delay TimeLine com tonalidades analógicas e muito mais capacidades de escolha. Uso o Tube Screamer, da Ibanez, e o Rat, também, mas o que é essencial para mim no meu som é isto e o Electro Harmonix Holy Grail. Na amplificação, e no caso de indignu, recorro a um Hiwatt Hi-Gain, que oferece uma boa saturação e uma boa capacidade nas dinâmicas, algo importante para mim e para os indignu, pois responde ao ataque que dás. É um amplificador que responde por si e quase não precisa de overdrive. Quanto à coluna, utilizo uma Orange pois parece-me bastante fiável. Ao vivo também uso, quando possível, um Fender Deluxe Reverb, que também utilizei em estúdio para as gravações de adeus

«Há todo um trabalho simbiótico, com uma química muito difícil de explicar.»

Afonso Dorido não se despede sem nos falar um pouco da sua abordagem na composição quando fica lado a lado com um violino, outro dos instrumentos que, a par com a sua SG Standard, dá voz à musicalidade que permite aos indignu obter um resultado ímpar. «Tem muito a ver com a pessoa que toca violino, que é a Graça Carvalho. É um diálogo, sobretudo das partes mais calmas, em que tento dialogar com o violino da Graça e ela com a minha guitarra. A Graça acaba por me moldar e entrar no meu espaço, positivamente. Normalmente sou eu que arranco, dando o primeiro mote, mas ela consegue mesmo moldar-me com o violino. Há todo um trabalho simbiótico, com uma química muito difícil de explicar. O critério é deixar um falar e o outro responder e é dessa química entre dois músicos que surge o princípio de tudo. É sempre estimulante porque normalmente no rock tens as guitarras mas quando existe um violino é muito mais desafiante e é provável que nasça algo diferente, pelo que a minha abordagem é procurar perceber o que o violino está a dizer, oferecer um suporte, perceber que está a puxar pela guitarra e eu responder. É um diálogo.»

adeus está disponível para compra no Bandcamp dos indignu em vinil colorido de 180 gramas e no formato digital. A banda actua em Lisboa, no MusicBox, no dia 30 de Dezembro.