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Drowning Pool ‘Sinner’: da conquista global à tragédia

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Fundados em 1996 pelo guitarrista CJ Pierce e pelo baterista Mike Luce, os Drowning Pool obtiveram reconhecimento mundial em 2001 com o primeiro álbum Sinner, mesmo no meio do turbilhão que era o nu-metal e o rock alternativo mais pesado.

Contudo, o álbum de estreia dos norte-americanos não ficou conhecido pelo seu inteiro, mas por pedaços, como o altamente famoso single Bodies, e por tragédias. Vamos por partes.

Gostes de metal ou não, ou pelo menos se ouvires rock – o que na realidade nem é requisito mínimo para uma música destas –, é certo que já ouviste o cativante refrão «let the bodies hit the floor». O sucesso foi tão grande que os Drowning Pool viram a sua música ser utilizada constantemente pela WWF, agora WWE, em vários eventos de 2001 e fizeram parte dos alinhamentos do Ozzfest, mas até aí se chegar houve um percurso que CJ recordou numa entrevista à New Transcendence.

«Trabalhámos muito, muito arduamente durante quatro anos antes de assinarmos. Esperamos sempre ter sucesso na música, mas, ao mesmo tempo, chegas a um ponto em que ficas do tipo: ‘Olha, estamos apenas a tocar em bares ao fim-de-semana e estamos a divertir-nos e como amigos’.» A banda acabou mesmo por assinar um contrato, com o músico a dizer: «É definitivamente um dos destaques da tua vida, sabes? Sempre quiseste tocar numa banda de rock profissional e finalmente solidificas isso.»

Os Drowning Pool eram assunto de conversa e o êxito Bodies tocava em todo o lado («Essa música continua a funcionar! Não sei outra forma de a descrever, sei que sempre que a tocamos é divertido!», disse o guitarrista), mas a desgraça – e chegamos agora à segunda parte da ideia inicial – aconteceu a 14 de Agosto de 2002. Dave Williams, vocalista que integrava o grupo desde 1999, foi encontrado morto no autocarro de digressão durante uma etapa do Ozzfest pelos EUA. A causa: uma condição cardíaca não-diagnosticada.

«Demos concertos no Reino Unido e na Europa, e tocámos com Tool, Slayer e muitas bandas excelentes», recorda CJ Pierce num artigo sobre a história do evento do casal Osbourne. «Demos os concertos nos Estados Unidos e estava tudo a ir muito bem, e depois aconteceu uma tragédia. Tínhamos planeado trabalhar no próximo álbum depois do Ozzfest, então fui para o quarto do hotel para escrever um pouco. Estava a trabalhar em algumas coisas e o meu telefone não parava de tocar, mas desligava porque estava a trabalhar. Continuou a tocar e percebi que algo não estava bem. Saí do meu quarto e vi alguns dos tipos de Ill Niño e de Meshuggah, e estavam todos a chorar. Toda a gente estava a olhar para mim, e eu pensei: ‘Merda, algo não está bem.’ Vi o meu técnico de guitarra e foi quando soube das novidades. Havia barricadas policiais e um helicóptero a voar por cima de nós. Foi como se tivesse acordado num pesadelo.»

Em 2014, CJ Pierce voltou a relembrar Dave Williams: «Ele era o melhor amigo e adorava música, adorava ser vocalista de uma banda de rock. Todos tínhamos um óptimo relacionamento e éramos os amigos mais próximos que podias ter!»

Os Drowning Pool não pararam e seguiram-se mais álbuns, uns com mais sucesso do que outros em território norte-americano, mas mais nenhuma composição conseguiu o êxito transbordante de Bodies. «Fizemos o que fizemos, e é isso!», disse CJ Pierce. E se pudesse regressar no tempo? «Provavelmente tentaria ir atrás para escrever cada música e fazê-la soar a “let the bodies hit the floor” em cada disco, mas depois estaria a seguir uma tendência e somos mais uma banda que gosta de trazer novo material.»