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Combo Qazam: Squier J Mascis Jazzmaster & Gretsch Electromatic G5570 Elliot Easton Duo Jet

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Enquanto trabalham num novo disco, os holandeses Combo Qazam fazem uma pausa para falar à guitarrista sobre o material utilizado nas gravações e no equipamento que deu vida ao álbum de estreia Flight Music.

Guitarra:

Gino Miniutti: «Adoro o visual da Jazzmaster. Para mim é a guitarra mais bonita que existe e queria uma desde que vi os Sonic Youth a tocar com Jazzmasters. Escolhi este modelo em particular pois não é dispendioso e ainda assim consegue ser um instrumento bom (e também porque sou muito fã de Dinosaur Jr). Oferece uma experiência suave e tem uma sonoridade excelente e versátil. É muito divertida de se tocar! Também gosto do facto das cordas passarem por detrás da ponte, pois é possível obter bons experimentais com isso.»

Stefan Breuer: «Tenho este modelo da Gretsch há décadas. Sempre usei esta guitarra a par com uma Hayman 3030 da década de 1970. Ambas são mais focadas nos médios, o que geralmente é bom quando se toca guitarra ritmo, que é o que eu faço. No entanto, a Gretsch sai-se muito bem nos solos. O timbre da guitarra leva os solos directamente até ti, algo que não é possível com a Hayman pois não consegue penetrar facilmente numa parede de som. Adoro o facto de ambas terem dois humbuckers. A Gretsch também tem uma ponte tremolo e sirvo-me da barra ocasionalmente para sonoridades shoegaze ou solos numa vertente mais noise.»

Amplificação:

Gino: «Anteriormente usava uma cabeça e coluna da Hughes & Kettner, que foi precisamente o material de que me servi para gravar o nosso álbum de estreia. Fez o seu trabalho mas a sonoridade saiu um pouco destemperada e não funcionou com o som que saiu da guitarra do Stefan. Recentemente comprei um Fender Concert, um combo a válvulas e fez logo uma grande diferença no som, que é agora muito mais claro e definido. O nosso técnico de som ficou igualmente satisfeito com esta unidade pois é mais fácil de misturar e obter um bom som num contexto ao vivo. Também se adequa muito bem ao som da minha Jazzmaster. Creio que Fender + Fender é impossível de dar mau resultado.»

Stefan: «Há alguns anos que utilizo um amp Vox AC15 com uma coluna azul Alnico. Recorro ao canal Top Boost e consigo sempre obter muito overdrive do amp, sendo que também combina bem com a guitarra do Gino. No entanto, é necessário aumentar bastante o potenciómetro dos graves, para que o som não saia demasiado magro e ao mesmo tempo consiga ter muitos graves. A principal razão pela qual adoro este amplificador é o facto de ser muito fácil de se gravar com ele. Se posicionar um micro SM57 à sua frente, soa exactamente da mesma maneira seja no estúdio ou na gravação. É um amp muito fiável e profissional.»

Efeitos:

Gino: «É importante que o meu timbre nesta banda possa contrastar com o timbre do outro guitarrista, pois o Stefan tem uma sonoridade muito quente e preenchida. Daí que procure obter um som mais robótico e metálico, conseguindo obtê-lo através do meu pedal Joyo Digital Delay, em que lhe dou um pouquinho de delay misturado com um uma pequena dose de reverb do meu amp da Fender. Outro factor que leva à criação do meu som de assinatura nesta banda é o pedal Electro Harmonix Synth 9. O meu objectivo era usar apenas pedais que fossem úteis no desenvolvimento de sonoridades invulgares. Outro pedal que utilizo é o Turbo Rat, que providencia uma distorção com algum fuzz à mistura e joga bem com o overdrive mais presente no som do Stefan.»

Stefan: «Aposto na sonoridade limpa do amp que tem muito overdrive por si só. Ao longo dos anos experimentei diversas combinações entre overdrive e distorção. No nosso disco Flight Music, por exemplo, usei um Ibanez TS808 Tube Screamer (a primeira edição) para a maior parte dos solos e dos ritmos. Quando precisava de obter uma sonoridade mais barulhenta, próxima ao metal, ou feedback e noise, adicionava um pedal Marshall Bluesbreaker na cadeia de sinal. A última peça importante do meu som é o delay Strymon El Capistan, que se traduz numa unidade realmente sólida e fiável. A função Wow & Flutter faz mesmo lembrar os velhos tape delays analógicos, o que é magnífico. O reverb presente no Vox AC15 também é bom e já recorri a ele nas gravações mas nunca ao vivo. Recentemente troquei alguns pedais para as gravações do novo disco. Como overdrive recorro a um Ibanez STL Super Tube e para a distorção um Aria AUM1 Ultra Metal. O Aria tem muitos mais graves do que todos os outros pedais que já experimentei, o que é espectacular para tocar sludge e doom. Também tenho um Electro-Harmonix Freeze para acrescentar camadas mais ambientais e drone às músicas.»