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Análise: Chapman ML3 BEA (Rabea Massaad)

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Fotografia: Ricardo Silva

Uma guitarra precisa de ser muito mais do que apenas bonita, e embora a Chapman ML3 BEA tenha passado esse primeiro teste, pretendia-se saber até que ponto é que a dupla de humbuckers Chapman Henchman Mini Rail e Chapman Henchman conseguiria corresponder ao tom sério e negro imposto pelo acabamento Flame Veneer que, como se não fosse suficientemente tenebroso, se faz acompanhar de fretboard em ébano. A resposta não se fez esperar e o Mini Rail tomou as rédeas do teste, quase como se tivesse consciência própria e soubesse que tudo dependia de si. De facto, a grande mais-valia da ML3 BEA reside neste mini-humbucker com tamanho de single-coil, que tem a capacidade de levar-nos de imediato por um desfile de riffs pesados e tocados um tom abaixo, sem se importar se o fazemos por vontade própria ou por estarmos inteiramente à sua mercê. O modelo da Chapman grita por rock agressivo, e assim que cedemos às suas exigências cumpre o papel a que se propõe com mérito e sem grande esforço. Apoiada por um jogo de cordas um pouco mais grosso do que o padrão, e pelo efeito Uber Metal de um combo Fender Mustang GTX50, a Chapman percorreu todo um catálogo de peso há muito adormecido, soltando a robustez de uns Pantera ou os tons profundos e desmedidos dos Black Sabbath. Leve e com um ataque muito frontal, a ML3 BEA converte a sujidade associada à distorção numa sonoridade mais limpa e detalhada, impondo cada nota no seu devido lugar e provocando arrepios quando o sustain é desafiado. Não sendo um instrumento que se deleite com o blues rock, ao assumir o modo clean é capaz de adquirir um som brilhante onde os graves falam com mais expressão. Vistas as coisas, o modelo da Chapman possui um propósito e não temos por que lhe negar o direito de realizar a sua missão ao impor-lhe uma identidade que não aquela que construiu. Deixem-na uivar e viver como o animal selvagem e noctívago que é.

Fotografia: Ricardo Silva

Em conclusão, o modelo de assinatura de Rabea Massaad – mais conhecido por Bea – traduz-se numa guitarra suficientemente sólida e versátil para se confiar em ambientes tão opostos como são a estrada e o estúdio. As linhas do headstock e os tuners da casa conferem-lhe um design moderno e ao mesmo tempo comedido, sendo habilidosamente capaz de agradar aqueles que procuram algo diferente e os que resistem aos designs complexos.

O pickup da ponte produz uma sonoridade precisa e com boa resposta a todo o tipo de distorção, enriquecido apenas pela tonalidade quente e directa do mini-humbucker aplicado na posição do braço, que é também capaz de gerar leads suaves e uma execução bastante coerente. Ao jogar em simultâneo com esta dupla, é diversão garantida!

Uma aposta vencedora da MusiX, que inclui no seu catálogo este e outros modelos da Chapman com o mesmo tipo de electrónica. Melhor do que confiar nas nossas palavras, é agendar uma visita no showroom da MusiX e testarem vocês mesmos!

Artigo publicado originalmente na edição #01 da Guitarrista, lançada em Dezembro de 2020.

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